Há oito anos a Gazprom International iniciou perfuração do poço mais profundo na Ásia Central, no entanto, ainda não há resultados industriais.

No fim dos anos 2000, chegaram ao Tajiquistão uma após outra empresas grandes de petróleo e gás. Cada uma delas pretendia prover o Tajiquistão de hidrocarbonetos dela e fazia previsões positivas. Passados cerca de dez anos depois de empresas de petróleo e gás do reconhecimento mundial terem aparecido na república, seu otimismo antigo já quase se esgotaria e algumas delas até sairiam do mercado.

Entre as empresas de investimento estava presente a então “Zarubezhneftegaz”, que agora é a Gazprom International, a operadora de projetos estrangeiros da PAO Gazprom. Há precisamente oito anos, no dia 7 de dezembro de 2010, que aquela empresa iniciou a perfuração do poço mais profundo na Ásia Central. Os trabalhos foram concluídos em 2013. No entanto, o poço não produz

hidrocarbonetos à escala industrial. Sobre o que está acontecendo nesta empresa, conta numa entrevista ao AP o Diretor do escritório de representação da Gazprom International no Tajiquistão Igor Shatalov.

Igor Olegovich, neste verão depois de Direção-Geral de geologia do governo do Tajiquistão anunciar que a empresa sairia do Tajiquistão, você refutou aquela declaração e disse-nos que continuariam a trabalhar procurando “novos objetos prováveis”. Qual é a situação com a obtenção de licenças de mineração de novas áreas?

— Os projetos da PAO Gazprom no Tajiquistão realizam-se consoante os regulamentos do Acordo de princípios gerais (APG) da execução de investigação geológica do Subsolo nas áreas de potencial de petróleo e gás da república de 10 de junho de 2008. No dia 29 de março, teve lugar a quinta sessão do Comitâ de gerenciamento de vigilância sobre o cumprimento dos regulamentos do APG.

Segundo a decisão do comitâ foram criados dois grupos de trabalho: um para preparar propostas e definir outros projetos no território da república com o intuito de estabelecer colaboração conjunta e o outro, constituído por representantes da PAO Gazrom, de ministérios e departamentos do Tajiquistão, para preparar um acordo de investimento.

Em consequência do trabalho dos grupos vão ser preparadas propostas sobre o domínio de posteriores trabalhos de pesquisa e prospecção no Tajiquistão. Presentemente está decorrendo a confirmação de objetos que possam ser propostas pela PAO Gazprom para apreciação.

— Antes dizia-se que a Gazprom International se reorientava do sul do Tajiquistão para o norte da república. A que é que isso se deve, existem lá reservas reais de hidrocarbonetos que deem rendimento?

— Isso não é verdade, o grupo de trabalho mencionado está apreciando opções de continuar a trabalhar bem no sul como no norte do país. A depressão de Fergana é uma das regiões de extração de petróleo mais antigas no território da CEI e, sem dúvida, tem boas perspetivas. Infelizmente, durante os últimos 35 anos praticamente não se realizaram trabalhos de pesquisa de petróleo e gás lá. Naquele período, foram executados poucos trabalhos de prospecção sísmica e veio a ser perfurado apenas um poço de pesquisa de Khodjabaquirgan (que foi perfurado durante mais de 10 anos!). Naquele período, tecnologias de prospecção avançaram muito e a investigação do território do norte da república usando estas tecnologias, sem dúvida, pode aumentar significativamente reservas de hidrocarbonetos.

— A Gazprom International ocupa-se de pesquisa de hidrocarbonetos no Tajiquistão já há mais de dez anos. Que quantia foi gasta nesses trabalhos no total?

— Desde o início de atividade até janeiro de 2017, os investimentos em prospecção geológica perfizeram mais de 6 biliões de rublos (cerca de 80 milhões USD). Esta quantia foi gasta em trabalhos seguintes: os de prospecção sísmica 2D (193,80 quilômetros lineares na área de Sargazon) e 3D (125 quilômetros quadrados na área de Sarikamysh e 214 quilômetros quadrados na área de Sargazon), bem como os de prospecção gravimétrica no volume de 806 quilômetros quadrados nas áreas de Sargazon, Sarikamysh e Rengan. Está executada perfuração do poço ultra-profundo de pesquisa e avaliação Shahrinav 1-p com 6450 metros de profundidade, estão realizados exames que comprovaram potenciais para produção de petróleo e gás nos objetos prospetivos descobertos durante a perfuração do poço de pesquisa na estrutura de Shahrinav. Reservas de gás extraíveis, avaliadas com probabilidade de 50%, perfizeram 17,5 biliões de metros cúbicos, as de petróleo — 1,574 milhões de toneladas, as de gás dissolvido no petróleo — 72 milhões de metros cúbicos.

Apesar de potenciais para produção de petróleo e gás na estrutura de Shahrinav terem sido comprovados por perfuração, os resultados da avaliação econômica da investigação geológica de áreas que a PAO Gazprom tem, demonstraram uma baixa eficiência econômica de desenvolvimento deles em condições macroeconômicas estabelecidas. A empresa tomou a decisão de devolver licenças do direito de utilizar subsolo.

Quero salientar que durante os trabalhos de pesquisa foi recolhida imensa informação e ela está toda transferida para o Fundo geológico da república. A informação paramétrica recolhida durante perfuração é única e tem imensa importância para todas as empresas que planejam continuar a fazer prospecção de objetos profundos prospetivos no futuro.

“Shahrinav é o primeiro poço”

— Vocês têm concorrentes no mercado do Tajiquistão?

— Em nosso caso não se trata de concorrência. A Gazprom chegou ao Tajiquistão a pedido do governo a fim de ajudar a república a resolver problemas de independência na área de petróleo e gás. Enquanto isso, é necessário entender que a Gazprom é uma estrutura comercial e os projetos realizados têm de ser economicamente eficazes.

Você disse repetidas vezes sobre uma carga fiscal elevada. Mudou alguma coisa nesse contexto? Em que regime fiscal a empresa opera no Tajiquistão? Como operam escritórios de representação da Gazprom International análogos em outros países?

— O regime fiscal não mudou, mas a questão nem são taxas de impostos! A prática mundial mostra que numa fase de prospecção muito arriscada e cara as empresas de investimento não são tributadas.

Segundo a estatística, apenas um poço de pesquisa de cada quatro descobre um depósito, e pela experiência de perfuração no Tajiquistão na época soviética — um de cada dez (isso tem a ver com a estrutura do subsolo do Tajiquistão muito complicada). E de longe nem todas as empresas concordarão em pagar taxas consideráveis nesta fase de trabalhos. Este problema não é novo e não somos só nós que falamos nele, mas também são nossos colegas das empresas Total e CNPC.

No que se refere a outros países em que opera a Gazprom International, em cada caso específico operamos de acordo com a legislação local e escolhemos o formato que proporciona a máxima eficiência econômica de nossos projetos.O trabalho sobre cada projeto, relacionado com prospecção e mineração de depósitos de hidrocarbonetos, construção e reparação de poços, criação de infraestrutura e de outros objetos de petróleo e gás, baseia-se em acordos, dirigidos para desenvolvimento de colaboração mutuamente vantajosa de longa duração e manutenção da eficiência econômica.

— Alguns especialistas locais dizem que o propósito da Gazprom International no Tajiquistão não era mineração de depósitos de petróleo e gás, mas sim branqueamento de dinheiro. Outros associam a permanência da Gazprom International na república à politica. Como pode comentar isso?

— Nem quero comentar a declaração desses assim chamados especialistas, que isso fique na consciência deles. Nossos estados estão interligados por amizade de muitos anos. A república do Tajiquistão está na zona de interesses estratégicos da Rússia e do grupo Gazprom graças a relações de boa vizinhança estabelecidas, ligações históricas e vizinhança geográfica. PAO Gazprom é parceiro estratégico e o maior investidor do Tajiquistão, sendo que o principal objetivo deste consórcio, além de tirar lucros comerciais da realização de projetos no país, consiste em garantir estabilidade energética e econômica da república.

— Como é que você avalia perspetivas do Tajiquistão na área de petróleo e gás: o quanto a república é rica em hidrocarbonetos e o quanto é possível falar de racionalidade de extração deles do ponto de vista financeiro?

Nos últimos anos surgiram muitas fantasias sobre enormes reservas de hidrocarbonetos no Tajiquistão. Citam-se os dados sobre reservas de triliões de metros cúbicos de gás, chegaram até à ideia de o Tajiquistão ultrapassar em termos de reservas um dos maiores produtores de gás, o Qatar!

Posso dizer que de acordo com a informação obtida por nossos geólogos, hoje não há razões para tais afirmações. Praticamente todo o volume de trabalhos de prospecção geológica se realizou na época soviética e os números de previsões mais otimistas não ultrapassavam 1 bilhão de toneladas de combustível equivalente. Enquanto isso, é preciso dizer que a maior parte destas reservas prognosticadas se associa a horizontes profundos que ainda não estão investigados de todo. O poço Shahrinav é o primeiro poço que foi perfurado para definir perspetivas destes horizontes.

A questão financeira é complicada, a conjuntura no mercado está mudando significativamente, por isso a eficiência econômica de cada projeto tem de ser calculada tendo em conta condições concretas.

Sem dúvida, na república há perspetivas de produção de petróleo e gás e é necessário trabalharmos em conjunto para realizarmos o potencial existente. 

Fonte: http://www.news.tj